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Bullying

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Devemos estimular crianças e jovens a desenvolver a habilidade de lidar com as adversidades.
A importância de estimular as crianças a desenvolverem habilidades para lidar com as adversidades vai além do bullying. É importante para nossa saúde mental no geral, inclusive para sabermos lidar com as frustrações do dia a dia. E isso está muito mais ligado à família do que se imagina. Temos uma cultura que orienta os pais a deixarem seus filhos chorando no berço, desde bebês. Muita gente fala que as crianças vão parar de chorar com o tempo. Isso é fato, elas param mesmo, mas acabam aprendendo com o tempo que as pessoas, inclusive os pais, não são confiáveis, e não vão proporcionar o cuidado necessário durante a vida. Assim, as crianças crescem com o sentimento de que não podem contar com ninguém, e quando passam por problemas durante a vida, não compartilham com ninguém. A escola como sendo o primeiro meio sociocultural que a criança se insere, acaba sendo o cerne desses problemas. Quando falamos de bullying, falamos de práticas que possuem diversas consequências psicológicas, que podem se estender até a vida adulta. Por isso, é muito importante que desde o nascimento do bebê, os pais estejam conectados e correspondam às suas necessidades, tanto fisiológicas quanto psicológicas. Isso inclui uma maior aproximação, abertura para ouvir o que as crianças tem a dizer, ter um tempo para brincar, e através das próprias brincadeiras, ensinar o que é certo e o que é errado; perguntar como foi o dia na escola; e estar atento às mudanças de humor e comportamento dos filhos. Além disso, ensinar a eles como devem se comportar nesses momentos é muito importante. Assim, eles se sentem mais corajosos a enfrentar as situações de bullying.

As dificuldades emocionais e mentais que podem ser causadas nos jovens.
O bullying é definido como práticas de agressões físicas e psicológicas durante um período de tempo, sobre vítimas consideradas mais fracas em uma relação de poder, e que não são capazes de reagir. Geralmente, não há um alvo específico, e nem relação com medos ou inseguranças do agressor, mas está relacionado com a carência afetiva, à ausência de limites e a necessidade narcisista de se destacar diante de um grupo. As consequências psicológicas, para quem sofre bullying, é a baixa autoestima, stress, transtornos psicológicos, fobia, depressão, e nos casos mais graves até o suicídio. Além disso, a vítima de distancia das pessoas, e acabam preferindo ficar dentro de casa por acreditarem que são inúteis ou defeituosos. A longo prazo, interfere negativamente nas relações sociais e na aprendizagem. Já os agressores, ou praticantes do bullying, acabam com dificuldades de aprendizagem, se distanciam dos objetivos escolares, podem ter notas baixas por exemplo; consideram a violência como forma de poder, (e isso pode ser identificado inclusive em casa, na relação com a família), podem desenvolver comportamentos delituosos, ou continuarem sendo agressivos na vida adulta.

O que deve ser feito para auxiliar a vítima do bullying.
O primeiro passo é identificar quando o bullying estiver acontecendo. Não podemos esquecer que uma pessoa omissa, que vê essas práticas mas não faz nada para impedir, também é um agressor indireto, quando permite que tais práticas aconteçam. Quando então se identifica esse problema, é importante acolher a vítima, fazer uma escuta atenta com relação aos seus sentimentos, treinar habilidades sociais e conversar sobre os direitos humanos, de forma a promover a autoconfiança dessa pessoa para se defender dessas agressões. No âmbito escolar, podem serem feitas regras no regimento escolar. Além disso, devemos promover orientação de pais e alunos, maior união entre as famílias e as escolas; mas também fazer intervenções com o agressor, entender o contexto em que isso ocorre e quais suas motivações e conversar sobre isso com os pais, porque na maioria das vezes as crianças que praticam bullying presenciam violências físicas ou verbais em casa, não recebem atenção suficiente da família ou não são ensinadas sobre disciplina e autocontrole. Devemos promover mais a empatia entre as pessoas.

Como os familiares podem identificar o jovem que sofre bullying.
Os principais aspectos que os familiares devem se atentar é a mudança de humor e de comportamento. O jovem que sofre bullying tende a ficar mais calado, triste, evita sair de casa, desenvolve sintomas de ansiedade como tremores e sudorese, e acabam conversando com poucas palavras. Muitas vezes, ele também evita ir à escola, prefere fazer trabalhos sozinho, e consequentemente tem uma queda no seu rendimento escolar.

Como alertar escolas e a comunidade sobre bullying.

Conversar mais sobre esse assunto é muito importante. Promover rodas de conversas ou reuniões, entre pais, alunos e agentes da escola, e também a divulgação por redes sociais e a mídia são extremamente importantes.

Juliene Pimenta Assunção
Psicóloga – CRP 04/46648